Candidatos
à presidência respondem perguntas sobre reforma política, saúde,
educação, aborto, maioridade penal e descriminalização das drogas

Oito
dos 11 candidatos à presidência da república participaram na noite
desta terça-feira, 16, do debate promovido pela CNBB. Reunidos no Centro
de Eventos Padre Vítor Coelho de Almeida, nas dependências do Santuário
Nacional de Aparecida (SP), os candidatos tiveram mais uma oportunidade
de apresentarem suas propostas de governo ao eleitor.
Participaram
deste debate oito candidatos que têm representação no Congresso
Nacional: Aécio Neves (PSDB), Dilma Roussef (PT), Eduardo Jorge (PV),
Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB), Luciana Genro (PSOL), Marina Silva
(PSB) e Pastor Everaldo (PSC).
O arcebispo de Aparecida (SP), Cardeal Raymundo Damasceno de Assis, abriu o debate fazendo um discurso em que demonstrou o objetivo da CNBB com a iniciativa: proporcionar ao eleitor o conhecimento das propostas e, assim, ter critérios para um bom voto.
A
primeira pergunta respondida pelos candidatos foi sobre reforma
política. De forma geral, eles se mostraram favoráveis à reforma e
destacaram os pontos que pretendem trabalhar em seus governos.
Perguntas dos bispos
Já
no segundo bloco, as perguntas foram feitas por oito bispos, abrangendo
os seguintes temas: juventude, família, laicidade do estado,
desigualdade social, educação, comunicação, direitos humanos e questão
indígena. As perguntas foram gravadas em vídeo e exibidas e sorteadas no
momento do debate.
A
primeira a responder foi a candidata Marina Silva, que falou sobre seus
projetos para conter a violência e proporcionar um futuro de esperança
para os jovens. “Que a juventude possa ter os meios necessários para
desenvolver suas capacidades”. Ela defendeu educação de qualidade,
acesso ao emprego e ao lazer e um sistema de segurança para combater
drogas e armas.
Levy
Fidelix respondeu sobre os projetos de proteção à família. Ele
considerou a família como indissolúvel e disse que seu governo fará de
tudo para preservar as famílias dando a elas as condições necessárias
para bem viver.
Já
a candidata Luciana Genro foi indagada sobre a laicidade do Estado,
sobre o modo como a questão será tratada em seu governo. Ela disse não
ser uma pessoa religiosa, mas tem respeito pelas religiões. “Entendo que
a laicidade do Estado deve ser defendida como garantia para todas as
religiões e para quem não tem religião. As políticas públicas não podem
estar subordinadas a nenhuma crença. É preciso pregar o bem e a
igualdade independente da religião”.
A
candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff, respondeu sobre
desigualdade social. Ela reafirmou seu compromisso com a redução da
desigualdade, citando um relatório da ONU que mostrou que o Brasil saiu
do mapa da fome. Ela também falou dos programas do governo dedicados a
essa questão, bem como da importância da agricultura familiar nesse
processo.
A
educação foi o tema sorteado para o candidato Aécio Neves, que defendeu
a necessidade de qualificação, inclusive para a criação de metas.
Pastor
Everaldo respondeu a uma pergunta sobre o projeto que prevê a proibição
da concessão de rádio e TV para emissoras católicas. Ele se posicionou
contrário ao projeto, defendendo a liberdade de imprensa. “Eu sou contra
qualquer regulação nesse sentido”.
O
candidato Eymael respondeu sobre o tema “direitos humanos”, perguntado
sobre o que pretende fazer com relação à realidade dos moradores de rua.
Ele enfatizou seu compromisso com a família e seus valores. “A
dignidade humana é pedra fundamental do pensamento da democracia cristã e
quando se fala de recursos humanos temos que falar de igualdade de
oportunidade”.
Concluindo
essa rodada de perguntas, o candidato Eduardo Jorge respondeu sobre a
questão indígena. Ele foi perguntado sobre quais providências seu
governo pretende adotar com relação à demarcação de terras indígenas. A
resposta foi que, se eleito, assinará todas as demarcações em um único
dia.
Perguntas dos jornalistas
O
terceiro bloco do debate foi dedicado às perguntas dos jornalistas das
emissoras de inspiração católica que participaram da cobertura. As
perguntas também foram realizadas mediante sorteio.
“Qualquer tipo de discriminação deve ser considerado crime, incluindo a homofobia”, declarou o candidato Aécio Neves.
Sobre
as contas públicas, especialmente a divisão justa dos royalties, Levy
Fidelix defendeu a aplicação dos recursos do pré-sal na saúde e na
educação.
Marina
Silva fez uma colocação sobre saneamento básico. “Nosso compromisso é
fazer com que as pessoas possam ter o saneamento, que o governo federal
se responsabilize pelo tema junto aos prefeitos”.
À
candidata Dilma Rousseff foi dirigida uma pergunta sobre saúde. Ela
falou do programa “Mais Médicos”, já realizado pelo governo federal, e
anunciou como proposta o “Mais especialidades”, que se trata de uma rede
que integra laboratórios e especialistas.
A
questão do aborto foi respondida por Eduardo Jorge. Ele considerou que a
diminuição do aborto está atrelada à expansão do planejamento familiar e
da educação sobre sexualidade, o que constitui, segundo ele, uma
questão cultural. Enquanto isso não acontece, ele defende que as
mulheres que fazem o aborto não sejam abandonadas em condições
precárias.
Sobre
a revogação da maioridade penal, Pastor Everaldo disse que suas
propostas envolvem atividades esportivas para esses “jovens deliquentes
com pequenos delitos” e a privatização de presídios, bem como a
construção de outros, junto com a iniciativa privada.
Luciana
Genro falou sobre reforma tributária, destacando a necessidade de
propostas que tenham apoio popular. Fechando o ciclo de perguntas dos
jornalistas, Eymael respondeu sobre a liberação da maconha,
posicionando-se contra.
No
quarto bloco, os candidatos, mediante sorteio, fizeram perguntas entre
si, com direito à réplica. O debate foi concluído com as considerações
finais de cada candidato.
Fonte: Canção Nova
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